Soltando pipas
Gregório trabalha a história em sua poltrona, bem cedo, na quietude, fazendo pipas, ouvindo uma voz interna trazendo uma história, um texto. De acordo com Benjamin, as mãos de Gregório têm uma relação profunda com a atividade narradora, precisam apoiar o que a voz enuncia, um tempo sem tempo marcado, de relaxamento íntimo, colocando as mãos em função, como aprendeu com a avó. As pipas não voam, mas dão asas à imaginação. Quando faço pipas vou colocando a memória em ordem, organizo as histórias para poder contá-las. Costuro cada pedaço, bordo, prego botões, fitas e assim a pipa voa.
Fragmento de Entre rios, de Tânia Machado

















"A arte me ajuda a dialogar com o mundo. Com as novas gerações e com a minha também. Ela puxa o fio da memória. O ato de criar promove instantes de profunda quietude interna, que me levam a experimentar certas emoções."
Recorte de "Aos 70, pipa, costura e arte para estimular a reflexão", por Matheus Rocha para a revista Época (2019). Confira aqui.




