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FRANCISCO
GREGÓRIO
FILHO

Um espaço dedicado à memória de seus escritos, de seu acervo pessoal e de sua trajetória.

Arte: Larissa Kouzmin-Korovaeff

Âncora 1

NOMEAR

Francisco. Escolha de minha avó. Meu pai nasceu Francisco, nome frequente na família. Tio-avô, tios, primos, compadres e afilhados. Admiração da família por São Francisco de Assis. Nenhum dos Franciscos da família nascido em 4 de outubro. Nenhum. Nascesse em qualquer data: Francisco. Também os que ainda vão nascer: netos, bisnetos... Franciscos. Espera-se. Gregório é sobrenome familiar. Descendência holandesa. Espalhados, a partir de Recife, pelas cidades do Nordeste, os holandeses chegaram ao Vale do Açu, Rio Grande do Norte, e por lá constituíram famílias em parcerias com os “nativos” (caboclos, índios, negros).

Francisco Gregório, meu pai. Minha avó, muito atenta e participativa, observou que em sua cidade muitos dos principais cidadãos assinavam seus nomes em suas casas comerciais: Açougue Preço Bom de Sebastião da Silva; Farmácia Saudade de Jocintho da Silva; Armazém Tem Tudo de Josué da Silva; Consultório Médico do Dr. Manoel da Silva; Escritório do Advogado Tenório da Silva etc. Muitos eram os compadres e as comadres da Silva. Pois bem, decidido pela minha avó: Francisco Gregório da Silva, inaugurando na família o sobrenome comunitário: Silva.​

Francisco Gregório da Silva Filho, disse minha mãe quando eu nasci. Meu pai ainda argumentou: é muita herança! Minha mãe teimou: uma homenagem de seu amor por meu pai. Essa é a história de meu nome. História que me anunciou. História pela qual nasci sujeito, sujeito a essa história do meu nome. Minha mãe celebrava seu amor por meu pai dando-me seu nome. Acrescentando o Filho.

Eu, primeiro Filho. Cabe a mim construir uma história como sujeito em Francisco. Diariamente me construo sujeito da história desse Francisco de nome, desse Gregório de referência familiar, desse da Silva do repertório comunitário e do Filho dos acervos pessoais de meu pai e de minha mãe.

Francisco Gregório da Silva Neto é o nome de meu filho. 

Fragmento de Lembranças amorosas (2000, p. 7-8)​

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Âncora 2

CONTAR DESDE SEMPRE

"É que sou um contador de histórias, um narrador – aquele que narra a dor. Sigo em minha trajetória de vida compartilhando as vozes dos ancestrais que me chegaram docemente pelas ruas, da querida Rio Branco." — Gregório para a Academia Acreana de Letras
"As histórias ouvidas vão formando nossos acervos e ajudando a construir aquilo que somos. Com elas e a partir delas, vamos mediando a realidade, formando ideias e exercitando nossa crítica sobre o que vemos e o ouvimos." — Fragmento do texto "Oralidade, afeto e cidadania e práticas leitoras: vivências de um contador de histórias" (2002)
Com as armações de varetas de bambu e linha também bordo, costuro, prego botões. Os voos são no imaginário. É a imaginação que nos faz voar por entre nossas memórias e afetos. Tudo isso começou com a passagem de minha avó aos 96 anos (...). Minha herança: uma trouxinha de retalhos e uma caixa com apetrechos de costura. Pensei, pensei: o que fazer com tamanha riqueza? Percebi que tinha que manter a memória da minha avó de uma maneira alegre e criativa. Logo lembrei do que mais gostava de fazer na minha infância e que me encanta até hoje: pipas! Decisão tomada, ia aproveitar cada pedacinho dos retalhos e os adereços da caixinha de madeira para fazer as pipas da minha memória afetiva. Pois passei a bordar, pregar botões e costurar rendas e fitas nas pipas que me levam por muitos lugares da minha imaginação e das boas lembranças de minha avó.” — Trechos de carta a Regina Porto, com quem assinou Os veinhos narradores (2022)
"O que me motivou ao trabalho da contação de histórias foi a necessidade de me expressar e me construir como cidadão, com voz e participação, e também incentivar outras pessoas a descobrirem essa riqueza cultural das narrativas humanas (...). Considero-me um leitor e um escritor em processo – em formação – que é continuada, um aprendente, em permanente estado de aprendizagem. Sou um narrador – aquele que narra a dor – as dores humanas – aquelas que são de todos os humanos. Então também desenvolvo essa função de mediador – mediar a dor. A minha e/do/com o outro." — Gregório em entrevistas

O contar, para Gregório, se manifesta em diferentes frentes: o teatro, as oficinas e a confecção de pipas. Visite as seções:

SEUS LIVROS

Guardados do coração (1ª ed.)
Amais, 1998
Ilustrações: Fábio Gonçalves

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Difícil passagem
Santa Clara, 2003
Fotos: Márcia Vieira

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Guardados do coração (2 ed. rev. ampl.)
Semente Editorial, 2018
Ilustrações: Larissa Kouzmin-Korovaeff

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Grávidas histórias:

memorial de notícias de mulheres do Brasil
Amais, 1998

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Dona baratinha e outras histórias
Rocco, 2006
Ilustrações: Martha Werneck

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Travessia: memorial de um contador de histórias
Semente Editorial, 2021

Ilustrações: Larissa Kouzmin-Korovaeff

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Lembranças amorosas
Global Editora, 2000
Ilustrações: Mauricio Negro e César Landucci

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Ler e contar, contar e ler: caderno de histórias
Letra Capital, 2008
Ilustrações: Raquel da Camara

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Os veinhos narradores
Fatum, 2022 (Selo Cátedra de Leitura 2022)
Ilustrações: Iago Sartini

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OUTRAS ATIVIDADES E PUBLICAÇÕES

Além da atuação como escritor, contador de histórias e formador de leitores, Gregório também exerceu importantes cargos públicos na área da cultura e da leitura. Ao longo de sua trajetória, publicou livros, crônicas, artigos e textos em coletâneas e periódicos, além de conceder entrevistas a jornais e revistas, compartilhando reflexões sobre literatura, oralidade, leitura e políticas culturais.

DISPERSOS

Fragmentos de cartas, bilhetes de amigos e correspondências esparsas estão sendo reunidos aqui. Deixados entre páginas de livros ou em envelopes sem identificação pelas prateleiras e estantes, esses papéis exigiram tempo e esforço para que se tentasse estabelecer uma cronologia. Tarefa impossível: alguns não tinham data, outros, assinatura. Daí este mosaico de memórias e histórias dos muitos encontros que Gregório teve ao longo da vida, pessoal e profissionalmente.
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